O que os candidatos a presidente falam de tecnologia nos planos de governo?
Por Nilton
Kleina |
Fonte: Tcmundo.com / TSE
Matéria completa:
https://www.tecmundo.com.br/mercado/133328-candidatos-presidente-falam-tecnologia-planos-governo.htm
As Eleições 2018 estão aí, e os candidatos ao
cargo de Presidente da República já homologaram inclusive os planos de governo,
que são as estratégias, promessas e bases para os próximos 4 anos. O TecMundo
consultou cada um deles e separou as menções a ciência, inovação e tecnologia
para observar se esses temas estão ou não em evidência.
Vale lembrar que
isso não significa recomendação de voto: todos os candidatos homologados foram
listados em ordem alfabética e com tratamento proporcional à importância da
tecnologia no plano. Além disso, trata-se apenas de um resumo: e a ideia é
despertar atenção e fazer com que você inicie uma pesquisa sobre os candidatos
que mais lhe agradarem. Os documentos estão completos no site do TSE
para consulta.
Álvaro Dias (Podemos)
O candidato tem
como um dos pilares o "desenvolvimento da indústria pela inovação".
Agricultura, indústria de base e estímulo ao empreendedorismo são citados como
essenciais para o sucesso do país em emprego e economia — e desenvolvimento
tecnológico está relacionado a esses temas.
Álvaro Dias cita
ainda que avanços tecnológicos devem ser utilizados também na preservação do
meio ambiente e que programas de inclusão social devem ser mantidos.
Ciro Gomes (PDT)
O candidato promete
a reindustrialização do país a partir do conceito de indústria 4.0, com setores
como "informática, design, logística, pesquisa, marketing e
consultoria" em evidência. Além disso, ele afirma que a geração de
tecnologia é um "complexo prioritário" disseminado a setores como
agronegócio, defesa, combustíveis e produção de bens para a saúde.
Entre outras
promessas, está a "criação de estímulos à atuação conjunta de
universidades, empresas e instituto de pesquisas no desenvolvimento de produtos
e tecnologias” e respeito ao Acordo de Paris para redução de emissão de gases
do efeito estufa.
Ciro quer criar uma Política Nacional de Inclusão Digital para promover
acesso à internet e implantar banda larga em todo o país.
Ele promete ainda
elaborar um plano nacional de ciência e tecnologia, destacar a "indústria
manufatureira de alta tecnologia e para serviços intensivos em
conhecimento" e fortalecer órgãos como o INPI e o CNPq. O candidato também
cita o estímulo à produção de conhecimento associado entre empresas e
universidades, criação de incentivos para o desenvolvimento de startups de
tecnologia e o cadastro eletrônico do SUS.
Cabo Daciolo (PATRIOTAS)
O candidato afirma
que o Brasil tem "um elevado potencial tecnológico e científico" e
promete "valorizar ciência, tecnologia e inovação" no país,
especialmente por meio dos institutos federais.
Em questão de
infraestrutura, Daciolo fala em pavimentar estradas, além de ampliar hidrovias
e ferrovias. A melhora da economia envolve "fortalecer a produção
brasileira, facilitar o trâmite para patentes de produtos nacionais" e
promover o empreendedorismo. Já o desenvolvimento científico e tecnológico
seriam priorizados e voltados para itens que são exportados, como minério de
ferro, aço e óleos brutos de petróleo.
Geraldo Alckmin (PSDB)
O plano do
candidato traz apenas 12 páginas e propostas em forma de tópicos curtos. Ele
também cita a digitalização de dados de pacientes do SUS e a criação de um
prontuário eletrônico.
Como promessas,
Alckmin fala em fortalecer o ensino técnico e tecnológico, além de estimular
parcerias entre universidades e empresas para "transformar a pesquisa, a
ciência, a tecnologia e o conhecimento aplicado".
Guilherme Boulos (PSol)
Em um plano de mais
de 200 páginas, o candidato fala em direcionar "o sistema de ciência,
tecnologia e inovação para um modelo voltado a atender majoritariamente as
longas carências que existem na sociedade brasileira", além de
"rediscutir o desenvolvimento tecnológico" e pensar na
"reestruturação da indústria nacional a partir da assimilação das novas
tecnologias".
Os avanços seriam
aproveitados em "atividades industriais, ligados tanto à manufatura como
aos bens públicos (por exemplo, transporte, saneamento, energia
renovável)", e empresas nacionais receberiam mais destaque e incentivo.
Além disso, ele quer reverter privatizações (incluindo o controle
nacional da Embraer) e nacionalizar o setor das telecomunicações.
Por fim, o governo
atuaria com recursos e pesquisas junto a Institutos de Ciência e Tecnologia
(ICTs), universidades e setor privado.
Henrique Meirelles (MDB)
Meirelles cita a
necessidade de "simplifcar e informatizar todo o processo de gestão de mão
de obra" em infraestrutura a partir do programa Brasil Mais
Integrado. Além disso, ele promete a criação de um Gabinete Digital, que
seria ligado ao presidente para "criar novas soluções para os
cidadãos, além de pensar todas as ações digitais já existentes".
De forma bastante
abstrata, ele integraria sistemas já existentes e "centralizaria o acesso
do cidadão a informações".
O candidato ainda
afirma que a tecnologia é uma "aliada para reduzir a distância entre a
prestação de serviços públicos e a população" e que deve ser usada como
política de Estado. Ele promete fortalecer "a segurança cibernética do
Brasil".
Jair Bolsonaro (PSL)
Bolsonaro defende a
liberdade de opinião, informação, imprensa e internet, sendo contra
"qualquer regulação ou controle social da mídia". Ele cita
"infraestrutura insuficiente e deteriorada" como um desafio urgente
do país e promete que obras e serviços públicos serão mais baratos graças ao
aumento de fiscalização e transparência na solicitação de verbas.
Além disso, no
âmbito militar, há menções a "equipamentos modernos" que protejam o
país inclusive contra ameaças digitais. "Nossas Forças Armadas precisam
estar preparadas, através de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, com a
participação das instituições militares no cenário de combate a todos os tipos
de violência", diz o documento.
Bolsonaro defende a redução de ministérios e confirmou em entrevistas
que o astronauta Marcos Pontes seria o apontado para a pasta de CeT.
Conectando
tecnologia e saúde, o candidato promete criar um Prontuário Eletrônico Nacional
Interligado, que informatiza cadastros hospitalares com dados de atendimentos e
grau de satisfação dos pacientes. Segundo o candidato, universidades precisam
gerar avanços técnicos e produtos devem ser desenvolvidos "através de
parcerias e pesquisas com a iniciativa privada". Além disso, Bolsonaro
defende a educação à distância.
João Amoedo (NOVO)
O candidato defende
que "o cidadão tenha mais liberdade para trabalhar, empreender e se
desenvolver". Ele ainda propõe um "governo digital", com
serviços públicos integrados e políticas públicas com uso inteligente de dados.
As propostas
envolvem a privatização de todas as estatais, parcerias público-privadas e
"novas formas de financiamento" da ciência com "fundos
patrimoniais de doações".
Em educação, ele propõe ampliar o ensino médio técnico.
Amoedo também
promete um prontuário único na saúde e combate com inteligência e tecnologia
contra lavagem de dinheiro. Além disso, ele defende a criação de "uma
identidade digital única para todo cidadão" e a ampliação do uso de
energias renováveis, acabando com subsídios a fontes como gasolina e diesel.
João Goulart Filho (PPL)
O candidato fala em
canalizar investimentos públicos em modalidades que envolvam recursos das áreas
"petroleira, hídrica, eólica e outras modalidades de renda da terra"
para ampliar a infraestrutura nacional de energia, telecomunicações e
transporte.
Ele promete ainda
reconstruir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e dedicar 3% do PIB
para a área. A engenharia nacional seria fortalecida nos seguintes pontos:
microeletrônica, informática, telecomunicações, materiais estratégicos,
engenharia genética, biomédica, nuclear, aeroespacial e indústria da defesa.
Goulart pretende
universalizar a banda larga, "tirar o Programa Espacial Brasileiro da
penúria" e reativar o setor de energia nuclear.
José Maria Eymael (DC)
O pré-candidato
traz poucas menções a temas tecnológicos, com discursos bastante gerais no
plano de governo. Para começar, ele fala em estimular Polos de Desenvolvimento
em parceria com governos estaduais e garantir acesso em todo o país a
equipamentos de informática, internet e banda larga nas escolas.
Além disso, outra
promessa é implantar um Plano Nacional de Apoio à Pesquisa para melhorar o
ensino e as pesquisas no país. Eymael ainda cita o “adensamento da
infraestrutura nacional”, priorizando setores como energia e transporte
(estradas, ferrovias e portos).
Lula (PT)
Lula propõe a
regulação da comunicação para democratizar os meios contra conglomerados e
monopólios. Ele também fala em garantir o acesso à Internet de alta velocidade
com preço compatível com a renda, ampliando o já existente Plano Nacional de
Banda Larga (PNBL).
O documento cita a
recém-aprovada Lei de Proteção de Dados Pessoais, que seria utilizada ao lado
do Marco Civil da Internet, além de assegurar a neutralidade da rede. O
candidato incentiva pesquisas e investimentos que ampliem a presença de
empreendedores brasileiros na internet e enaltece veículos
comunitários. Além disso, ele promete "inclusão digital e
tecnológica das crianças", desde o ensino fundamental.
Em estrutura, a ideia é reabrir o Ministério da Ciência e Tecnologia e
criar o Sistema Nacional de Ciências, Pesquisas e Inovação (CP&T) para
políticas públicas.
No plano, há
preocupações com o setor militar. O candidato fala em "modernização da
estrutura nacional de defesa" e melhorar o equipamento das Forças Armadas,
com tecnologias nacionais e com uso civil. O modelo energético envolve
interromper privatizações, modernizar o sistema elétrico atual e investir em
biocombustíveis, como o etanol.
Marina Silva (REDE)
A candidata promete
um ensino superior integrado com ciência, tecnologia e inovação. Marina também
fala em um cadastro único de dados dos pacientes do SUS, utilizando "novas
tecnologias para modernização dos serviços" e garantindo melhorias no
setor ambulatorial e hospitalar, do diagnóstico aos tratamentos.
Sob a bandeira da
sustentabilidade, ela defende pesquisas para um uso mais eficiente e econômico
de energia, para reduzir emissões de gases de efeito estufa e aproveitar
alternativas como a energia solar, a eólica e a hidrelétrica.
Em segurança, a promessa é de 'modernas ferramentas e metodologias de
inteligência' para reduzir a criminalidade.
A candidata fala
ainda em "explorar possibilidades das novas tecnologias" para
promover o acesso a produtos culturais e incentivar a economia colaborativa.
Outra promessa no setor é a inclusão digital de jovens a idosos,
universalizando o acesso público à banda larga. Ela também promete recriar o
Ministério de CeT e investir bastante no setor de pesquisa e inovação. Empresas
como Infraero e Eletrobrás são exemplos de órgãos utilizados para melhorar a
infraestrutura.
Vera Lúcia (PSTU)
A candidata traz
poucas menções específicas a temas tecnológicos no plano de governo "16
pontos de um programa socialista para o Brasil contra a crise
capitalista". As propostas giram em torno do discurso de colocar o país
"nas mãos dos trabalhadores e do povo pobre".
Entretanto, há
menções a um plano de obras públicas que gere empregos e respeite o meio
ambiente, resolvendo questões estruturais (falta de saneamento básico e
problemas em escolas e hospitais). Isso seria pago com recursos usados para
reduzir a dívida pública e como forma de “isenções fiscais às grandes
empresas”. Vera Lúcia ainda promete a estatização das 100 maiores empresas
atualmente presentes no país para deixá-las sob o controle dos trabalhadores.
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